Capital e tempo histórico: observações sobre a interpretação de Marx por Postone
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Resumo
O artigo trata da articulação entre capital e tempo na sociedade do capital, a partir da interpretação da teoria crítica de Marx, feita por Postone. Considerando que o trabalho determinado por mercadoria, específico da sociedade do capital, é uma prática social estruturante da objetividade e das estruturas sociais e, ao mesmo tempo, é estruturado por suas objetivações, sugerimos que toda a formação socioeconômica articulada pela lógica do valor tem nesse trabalho o seu eixo central. O valor, riqueza abstrata específica dessa sociedade, é mensurado pelo tempo de trabalho socialmente necessário que se constitui enquanto norma temporal social constrangedora de todos os produtores humanos. Essa norma manifesta a articulação entre o tempo abstrato e o tempo concreto e instaura o cerne determinativo da presentificação da sociedade do capital. Simultaneamente, constitui um tempo histórico, restrito a essa sociedade, que é direcional, homogeneizador e expansionista. Por fim, esse enfoque permite esclarecer a força motriz constitutiva dos diversos padrões de acumulação de capital que marcaram épocas históricas da sociedade moderna, ofertando pistas para a adequada compreensão da crise estrutural do capital produtora do presente colapso social e da barbárie em que vivemos.
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